Sou costureira. Levanto às cinco da manhã há vinte anos pra costurar. Pano de prato, avental, vestido. É assim que eu sustento a minha casa.
A Lu é minha filha. Tem seis anos. Somos só nós duas.
A rotina da gente é simples. Acordo cedo, preparo o café, arrumo ela pra escola. De tarde ela volta, senta do meu lado enquanto eu costuro e fica contando as coisas do dia. De noite, eu leio uma história pra ela antes de dormir. Às vezes ela pega no sono no meio e eu fico ali, ouvindo a respiração dela ficar lenta.
Até que apareceu um caroço nas costas dela. Levei pra avaliar. Me explicaram que ela tem uma alteração que precisa de tratamento. O médico indicou um procedimento.
Minha renda cobre o básico. O procedimento está fora do que eu consigo pagar.
Mas eu sei costurar. Faço isso há vinte anos.
Então eu comecei a fazer mais panos de prato. Bordo cada um à mão — frutas, flores, frases de cozinha. Cada pano leva tempo. O bordado precisa ser firme e bonito.
De noite, depois que a Lu dorme, eu sento e vou costurando. O barulho da agulha no tecido é baixo o suficiente pra não acordar ela.
O que entra com cada pano eu vou guardando. Tudo vai pro tratamento que ela precisa.
Se você quiser conhecer, eles estão aqui nessa página. Cada um leva o trabalho das minhas mãos e o cuidado de uma mãe que não vai parar.


